A paixão do torcedor do Massa Bruta é inabalável, e a cada rodada, nosso Red Bull Bragantino nos entrega momentos de pura emoção no Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista. Vemos a dedicação dos nossos atletas e a filosofia de jogo que nos trouxe até aqui na League. Contudo, em um futebol tão dinâmico, a evolução é constante, e uma análise tática aprofundada nos permite identificar oportunidades para que nosso sistema brilhe ainda mais. Não se trata de uma revolução, mas sim de ajustes cirúrgicos para otimizar o que já construímos.
Nossa saída de bola é, na maioria das vezes, bem trabalhada, com a busca por amplitude pelos nossos alas e a movimentação dos meias para criar linhas de passe. No entanto, observamos que, em alguns momentos, a transição ofensiva perde um pouco de verticalidade após a primeira fase da construção. Muitas vezes, a bola chega aos pontas já com marcação encaixada, e o centroavante acaba um tanto isolado. A falta de infiltrações mais agressivas dos volantes ou dos meias, vindo de trás, pode deixar nossa posse de bola um tanto estéril contra defesas bem postadas. Nosso 'último terço' do campo, aquele onde as chances são criadas, por vezes carece de imprevisibilidade nos movimentos sem a bola, facilitando o trabalho dos zagueiros adversários.
Para refinar esse aspecto, sugiro algumas 'pinceladas'. Primeiramente, incentivar os volantes a alternar mais suas posições, com um deles se projetando à frente da linha da bola em jogadas de ataque pela lateral, criando um elemento surpresa na área. Isso pode ser feito com movimentos diagonais, explorando o espaço entre o lateral e o zagueiro adversário. Além disso, quando a bola estiver com nossos pontas, que haja uma variação maior nos movimentos do centroavante – não apenas esperando o cruzamento, mas também buscando o ‘corta-luz’ para a chegada de um meia. Também seria interessante explorar mais as trocas de posição entre os pontas e os meias por dentro, desorganizando a marcação do rival e abrindo novos corredores para a infiltração de outros jogadores. A velocidade de J. Herrera, por exemplo, poderia ser ainda mais explorada com bolas em profundidade nas costas da defesa, não só pelo centro, mas também em diagonal partindo da lateral.
Defensivamente, o Massa Bruta tem demonstrado compactação e intensidade na marcação alta, o que é uma característica marcante do nosso jogo. Contudo, percebemos que, em algumas situações, especialmente quando o primeiro pressing é superado, nosso bloco defensivo pode se tornar vulnerável às transições rápidas dos oponentes. A distância entre a linha de meio-campo e a defesa por vezes se estende demais, criando um 'buraco' que equipes rápidas exploram com passes verticais. A recomposição dos alas, após subidas ao ataque, também pode demorar um ou dois segundos cruciais, deixando os zagueiros expostos nas laterais. O Ituano, por exemplo, soube explorar bem essas brechas em confrontos passados.
Para endereçar esses pontos, aprimorar a 'leitura de jogo' para o contra-ataque adversário é vital. Precisamos de uma transição defensiva ainda mais instantânea, com o jogador mais próximo da bola realizando o ‘combate imediato’ para frear o avanço, enquanto os demais recompõem. O posicionamento de Eric Ramires, por exemplo, é chave aqui – ele pode ser o 'cão de guarda' para cobrir o espaço deixado pelos alas. Adotar um sistema de 'cobertura e sobra' mais rápido entre os volantes, permitindo que um marque mais à frente enquanto o outro fecha a linha de passe para trás, pode evitar que a linha defensiva seja exposta. Pequenos ajustes na linha de impedimento, talvez um recuo de poucos metros em situações de posse de bola adversária no meio-campo, podem dar mais segurança e tempo para a recomposição completa.
Estas são considerações para que o Red Bull Bragantino continue sua trajetória de sucesso. São ‘detalhes’ que, no alto rendimento da League, podem fazer a diferença entre um empate e uma vitória, ou entre uma boa e uma excelente performance. A filosofia de jogo do Massa Bruta é vencedora, e com esses ajustes finos, temos tudo para subir mais um patamar e seguir orgulhando Bragança Paulista.
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